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Nos últimos dias, Artaud esta sendo presença forte em minha vida. Uma performance sobre sua estética está marcada e o trabalho de pesquisa-lo, entende-lo, destrincha-lo e absorve-lo, no corpo e no verbo, já começou. Criador do Teatro da Crueldade, Antonin Artaud, o crucificado, é corpo, é dor, é sangue, é força, é arte, é o desfazer de uma Obra imperfeita e a criação de um corpo sem órgãos.
Que existência é essa? Que indivíduos somos nós que nos mascaramos e criamos um mundinho sem graça para viver? Quem somos nós? Não... Não! O que Artaud quer saber é: quem somos nós!? Já não existe mais odor nas coisas, as coisas já não têm mais sexo. As palavras apodrecem ao apelo incontrolável do cérebro...
Nos laboratórios/ensaios, a proposta era a seguinte: falar o texto utilizando os instrumentos de forma que eles nos causassem vertigem. O primeiro foi asfixiado e estrangulado por nós, até seu limite. Eu fui enforcado e amordaçado, enquanto os atuantes me puxavam de um lado para o outro, como bestas, feras sem limite, voracidade incrível. A terceira também foi amordaçada. A quarta, afogada.
O melhor de todo esse estudo, esses laboratórios, é experimentar o jogo de controle entre ator e personagem. A estética é forte - visto que ninguém saiu ileso do laboratório -, mas o trabalho cênico, o fazer teatral é prazeroso. Experimentar até que é fácil. Difícil é o ser humano se desfazer de toda sua matéria orgânica e criar um novo corpo, uma nova obra. Salve Artaud!
P.S.: A performance é dia 28 de agosto, às 18:30h, no Auditório da São Camilo - ES.

criado por ator3
20:45:52