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O projeto Leituras Dramáticas Capixabas alia duas matrizes artísticas - teatro e literatura - com o fundamental intuito de divulgar o teatro e as letras capixabas.
Em uma sociedade carente em cultura, importante são as artes produzidas por uma minoria que devem ser divulgadas e incentivadas, de forma a promover um interesse artístico na população, como o hábito de ir ao teatro e de apreciar obras literárias, sobretudo as obras locais. A união do teatro com a literatura se dá em leituras dramáticas, feitas com textos exclusivamente capixabas. Esta é uma forma encontrada por quem está habituado à arte de atuar e interpretar textos para mover o público ao teatro e seu espaço. Desta maneira, estão valorizados não apenas os autores do Estado, como também aqueles que, no cotidiano da dramaturgia, oferecem ao público a magia e o universo do imaginário.
O teatro deve sempre ser um meio para a troca de experiências e reflexões humanas entre o ator e o público. Assim como a literatura, é uma arte que toca o indivíduo de maneira coletiva. Por isso, deve ser encarada com uma necessidade básica para se viver em sociedade, pois teatro e literatura tratam essencialmente do ser humano e suas variáveis.
O 1º Festival de Leituras Dramáticas Capixabas ocorre em tenda montada na Praça Jerônimo Monteiro, em Cachoeiro de Itapemirim/ES, de 10h às 11h, nos seguintes sábados e com os seguintes grupos de teatro:
01/11: Grupo de Teatro DePalco & Cia (Cachoeiro/ES)
15/11: Alunos do CIAC (Cachoeiro/ES)
29/11: Grupo ELA de Teatro (Cachoeiro/ES)
13/12: Grupo Teatral Gota, Pó e Poeira (Guaçuí/ES)
Compareça! Prestigie o teatro e literatura do nosso Estado!

criado por ator3
23:47:21
Um escritor nasce e morre. Esse é o título de uma leitura dramática de mesa que fiz na Casa da Memória, em Cachoeiro de Itapemirim, dia 07 de outubro de 2008. Após um debate sobre a escrita cachoeirense, apresentei minha performance com essa prosa de Carlos Drummond de Andrade. Apesar de muitos elogios, fiz minha avaliação pessoal, como sempre. E, como sempre, critiquei-me ferrenhamente. Duramente. Não fui bem. Definitivamente, não fui bem.
Mas por que? Eu estava duro, a mesa me prendeu, eu me prendi a mesa, num sei... Fiquei muito tempo concentrado, aqueci minha voz várias vezes. Já tinha ensaiado, com música e tudo, algumas vezes, tudo tinha dado certo. Não era falta de confiança, isso eu sei. O caboclo não desce assim, sempre que eu quero... E quando eu quero, nem sempre ele vem. O que será que aconteceu? As velas, pertencentes ao cenário bucólico que planejei, estavam no candelabro, ao meu lado direito, em cima da mesa. Essas aqueciam o ambiente frio e iluminavam minha leitura. O copo d’água também estava em cima da mesa, ao lado de três livros, a espera de meu gole, o que não aconteceu durante os 10 minutos de minha leitura. O calor das velas me fez suar, gerando sede, não saciada pela água que estava ao meu lado... Meu Deus, o que aconteceu comigo?
Iniciei a leitura carregando uma vela, completando o candelabro a iluminar meus papéis. Começo a ler o texto, equilibrando o tom de voz, postando-a, fazendo as devidas curvas, tentando me relacionar ao máximo com o público... eu à mesa, ali... num tava dando muito certo. Eu sentia isso. Eu sentia! Que sofrimento... Lia e olhava para o público, o público, composto por jovens e velhos escritores, atores, artistas em geral, olhavam-me. Eu lia. Lia. Até que minha voz estava boa, li bem, isso eu assumo. O que me instiga e me perturba é a minha performance, ela não foi boa, eu sei. Não foi.
Esse desabafo, amigo leitor, é para dizer que nem sempre a inspiração vem quando a gente quer, quando a gente pede. Se você, de qualquer área profissional, inclusive teatral, não se preparar - técnica, teórica, mental, cultural e corporalmente -, a prática sai sempre assim, perdida, com indagações, obsoleta. O aprendizado para um aperfeiçoamento do seu fazer é constante, mas a neurose é minha mesma, fique tranqüilo. E muito obrigado.

criado por ator3
00:53:11