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Dois indivíduos dialogam:
- Ontem lembrei-me daquela poesia de Drummond, sabe qual?
- Claro que não.
- Como não?
- Ué, quem pensou foi você não eu!
- Ah, sim, claro! Não lhe disse qual a poesia.
- Hum... e qual a poesia?
- Aquela do Drummond.
- É?
- É!
- E qual era, então?
- Hum, não me lembro...
- Como não se lembra, se lembrou ontem?
- Não me lembro do título!
- Como ela é?
- O título ou a poesia?
- A poesia, já que você esqueceu o título.
- Aquela da pedra...
- Pedra?
- Sim, no meio do caminho...
- Ah, claro. Já sei!
- É?
- É!
- E qual o título dela então?
- Você acabou de dizer, já esqueceu?
- Eu disse?
- Sim, acabou de dizer, não percebeu?
- Não!
- Não?
- Não!
- É?
- É!
- Poxa, como você é burro! O título da poesia é...
- Você me interrompe no meio do caminho do raciocínio de resgate das minhas lembranças outrora tão perfeitas.
- Aí, falou de novo.
- Falei o que?
- O título.
- Que título?
- Da poesia.
- Que poesia?
- Do Drummond, que você estava querendo lembrar.
- Ih, falei?
- Falou!
- É?
- É!
- Jura?
- Juro.
- Calma... Qual o título da poesia então, fale logo!
- No meio do caminho.
- No meio do caminho o que?
- Meu querido, o título da poesia é “No meio do Caminho”!
- É?
- É!
- Jura?
- J-U-R-O.
- Minha nossa! Que coisa, não?
- É...
- E então, agora que você já sabe o título da poesia, o que você quer falar sobre essa obra de Drummond, autor tão venerado no Brasil e no mundo, alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor?
- Nada não.
Domingo-sem-nada-para-fazer, 14 de dezembro de 2008.
criado por ator3
18:09:26