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Quem é mais sábio, tem o costume de dizer que tudo feito com simplicidade e carinho é mais bem feito. Afinal, o amor acaba sendo incluído nos pequenos detalhes, nos gestos que, por pouco, não passam desapercebidos. Nas artes, a simplicidade, o detalhe e o gesto sempre ganham uma grandeza, digamos, sublime.
Na noite do dia 13 de março, uma sexta-feira de sorte, o Teatro Rubem Braga reabriu suas portas após um período curto de reestruturação interna para receber o ano de 2009 para nossa calejada, mas ainda ativa cultura. Sem a pompa nonsense de toda inauguração, mas com toda circunstância necessária, estiveram presentes o prefeito de Cachoeiro, Carlos Casteglione, e sua esposa, Auxiliadora Zampirolli, a secretária de Arte e Cultura do município, Cristiane Rezende Fagundes Paris, o gerente do Teatro e organizador do evento, Lucimar Costa, além de representantes das artes de nossa cidade. Além da ocasião da reabertura do teatro, com a ótima notícia da extensa reserva do espaço para peças teatrais e eventos culturais até o fim do ano, também foi celebrado, a bem dizer com algumas horas de antecedência, o Dia Internacional da Poesia (14 de março), e nada mais pertinente que homenagear o Decano dos Trovadores Capixabas: Nelson Sylvan, falecido em janeiro deste ano, aos 98 anos. O poeta, transeunte de uma carreira semiótica, também era ator, participando do primeiro grupo de teatro de Cachoeiro, a “Troupe Galikokô”, entre as décadas de 20 e 40. Suas belas trovas foram relembradas e interpretadas de diferentes formas, todas muito elogiosas, sobre o palco, em que atores profissionais dividiram a cena com alunos de escolas públicas. Emoção ainda maior ocorreu na homenagem à viúva de Nelson, Sra. Lucila, durante a performance de Maria Elvira. Um breve texto lido por uma voz suave, tenra... Uma lágrima na platéia, uma emoção no espaço teatral. A apresentação da Orquestra Sol Maior engrandeceu ainda mais a bem-sucedida noite. A orquestra Cachoeirense dirigida por Hebert Cock, é composta por jovens músicos cachoeirenses que reproduzem, com muito talento e sensibilidade, clássicos da música erudita e popular brasileira.
Ainda nessa noite, um documentário sobre “Seu” Nelson foi exibido pelo Cine Clube Jece Valadão através de uma parceria com o Projeto Memória Viva, mostrando aos expectadores uma faceta do poeta que poucas pessoas haviam tido a oportunidade de presenciar: um Nelson espirituoso ao parodiar Raul Sampaio Cocco para falar do calor de nossa cidade e ao lembrar de seus tempos de juventude, em que "a chuva caía barulhenta sobre a telha de zinco do cinema, mas não importava, pois os filmes eram mudos".
Foi o momento em que a nostalgia, um pouco grave devido à sensação de perda, deu lugar a uma atmosfera leve e preenchida por risadas coniventes, carinhosas. Sentimentos que prometem, artisticamente, prevalecer na nova e agitada temporada do Teatro Rubem Braga nesse ano.
Texto de:
Luiz Carlos Cardoso e Milena Paixão.
criado por ator3
10:51:56